20141111

em águas

naquela manhã,
enquanto ainda abraçados
eu teria dito que te amo.
mas você bem sabe que 
eu não gosto das palavras prontas e com 
um só sentido.
no lugar disso, disse
que
estava sem ar.
 e logo após sua cara de susto:
- sem ar, por me sentir
deliciosamente afogado
em você.
que sorriu.
teria dito que me ama,
mas não pensou coisa
à altura para responder
rapidamente.
beijou-me,
como um ás na manga,
e amamo-nos de novo.

o dia correu.
melhor: escorreu,
como você escorrera
em meus lábios mais cedo,
no calor da carne,
lábio a lábio.
e continuava ali, na minha carne,
o resto do dia,
em sensações que desenham
a ausência,
nas mãos que buscam tocar
o cálido corpo,
na ereção fortuita no ônibus,
no almoço solitário mas
sorridente,
e no desejo de estar sonhando
só para acordar de novo ao seu lado,
afogado.

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